quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Billie Holiday|Lady Day


Gosto de Jazz, gosto muito aliás, mas nunca tinha pesquisado muito sobre. Até descobrir a semana passada sobre Billie Holiday e a sua trágica história, além da sua música linda.

Eleonora Gough nunca teve uma vida fácil, descobriu o talento para a música através da necessidade, a necessidade de comer e não passar fome.
Nasceu em 1915 em Filadélfia, filha de pais muito jovens, foi criada pela bisavó e por uma tia que lhe batia diariamente. O pai era irlandês e morreu bastante cedo e a mãe era uma escrava, o que a fazia demasiado branca para ser da família da mãe e demasiado preta para o mundo.
Aos 10 anos, tentaram violá-la, mas conseguiu escapar, mas mesmo assim foi acusada de se oferecer ao homem, foi mandada para um colégio de freiras. 
Aos 12 anos foi mesmo violada, mas não apresentou queixa que já sabia como a justiça funcionava. Aos 14 anos já trabalhava num bordel e quando se recusou a atender um cliente mais violento foi acusada de prostituição e acabou na prisão por isso. Ganhou a vida como prostituta até que tentou candidatar-se a uma vaga como dançarina, cantando a letra. Acabou por ficar como cantora abandonando para sempre o seu antigo nome e surgindo como Billie Holiday, a lenda imortal do jazz, entre Ella Fitzgerald e Nina Simone.

Mas nem o estrelato lhe deu mais sorte na vida, era frequentemente espancada por homens.  Foi explorada, roubada, enganada, abusada, agredida, chantageada, traída e abandonada por eles. Mal amada, condenada à solidão. Ninguém era dela, ainda que fosse de todos.
Quanto mais famosa, maiores os problemas. A polícia perseguia-a devido às drogas, o fisco por sonegação do que nem tinha, a justiça porque tinha nascido, os brancos porque era negra, os homens porque era mulher, as mulheres porque era famosa, os músicos porque tinham inveja dela. Mas nada lhe doía tanto quanto o racismo. Sentia na pele o peso da estratificação racial nos Estados Unidos.

Acabou por morrer sozinha, numa cama de hospital, aos 44 anos, entregue aos problemas de drogas que sempre fizeram parte da vida dela.

Deixo aqui uma playlist da cantora, ideal para escrever, para pensar e para ler.

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Maira Gall